Paroquiana Armênia da França escreve carta emocionante a Igreja Armênia Católica do Brasil.

Texto adaptado em português, enviado ao Pe. Antonio, em 01/05/2020,
por Elisabeth Oundjian Branco, paroquiana armênia, residente na França.

Agradeço a Deus essa possibilidade de poder praticar a caridade em favor da minha Igreja São Gregório Iluminador, que frequentamos desde a sua existência e onde nossas filhas foram batizadas.
Lembro-me com muita emoção da sua amável visita, há anos atrás, para benzer a nossa casa e trazer reconforto ao meu marido que tinha sofrido uma queda e tinha sido operado.
Eu considero que os fiéis da nossa comunidade têm muita sorte em poder contar com um padre para substituir o nosso bispo D. Vartan e espero que eles cooperem para facilitar sua missão. Não esqueço que em um de seus sermões, o senhor ressaltou o privilégio que temos de dispor de uma magnífica igreja que merece ser valorizada com a presença maior dos fiéis.
Aqui, nesta região do País Basco francês, não temos igreja armênia; porém, temos uma ativa associação franco-armênia “AgurArménie” (Association culturelle France-Arménie Pays Basque), da qual fazemos parte com mais umas 150 pessoas. As datas históricas importantes, como 24 de abril, são lembradas com uma homenagem no monumento aos mortos em Biarritz, com discursos de altas personalidades políticas da diplomacia francesa e armênia e com a deposição de coroas de flores. A partir deste ano, o Governo inscreveu no calendário da nação francesa a data de 24 de abril como dia do Genocídio Armênio.
Há vários encontros da comunidade com apresentação de historiadores franco-armênios, conferências, filmes seguidos de debates de grande interesse. Reunimo-nos regularmente nas datas religiosas importantes; os associados participam de certos eventos e cada um traz suas especialidades culinárias armênias.
Uma vez por ano, coletamos roupas de inverno e material hospitalar, distribuídos pelo hospital Redemptoris Mater, às pessoas necessitadas da região pobre de Ashotsk, situada no Norte da Armênia na montanha, longe de cidade e com temperatura gelada no inverno. Temos a possibilidade, entre outras, de modernizar as instalações de escolas em péssimo estado e de apadrinhar uma criança pobre com a doação de um euro por dia e de acompanhá-la nos seus estudos.
A diáspora armênia em todo mundo é muito generosa e participativa, graças a Deus, mas como a Armênia, apesar de ter um pequeno território, está rodeada por inimigos, principalmente o Azerbaijão, ela tem que dispor de um arsenal para o caso de agressões, o que lhe custa muito caro.
A documentação sobre os programas da AgurArménie que consiste atualmente em filmes sobre a Armênia, os quais já assistimos com os produtores, estão disponíveis na rede, mas em francês. Como não conseguia mais acessar as programações da Paróquia São Gregório pelo computador, a minha filha instalou Facebook e consegui acompanhar a cerimônia de 24 de abril na igreja com apresentação dos evangelhos e com muito prazer, vi o padre Antonio. Também, 6a. feira passada, pude também rezar o terço com o grupo de paroquianos.
Desde 15 de março, estamos em plena pandemia do coronavírus; é uma grande tragédia que não se consegue controlar. Na França, temos mais de 20.000 infectados apesar de todos os cuidados desde o começo. Não podemos sair de casa mais de uma hora por dia com um atestado explicando o motivo; há muitos policiais verificando. As pessoas com idade, como eu, são muito fragilizadas; a minha filha passa a me ver o menos possível e me traz as compras de supermercado, que é o único comércio aberto.
Tivemos perdas muito grandes de pessoas importantes e excepcionais na comunidade armênia, o que nos causou muita pena. O que este flagelo significa para nós que acreditamos na bondade de Deus? É pior do que a guerra porque atinge o mundo todo.
Imagino que nessa situação de pandemia, se ela se alastrar tanto quanto na Europa, o Brasil vai ser incapaz de controlar os acontecimentos e muita gente vai sofrer por falta de cuidados e alimentação. O Brasil, país imenso e rico, se fosse bem organizado e os seus políticos honestos e menos egoístas, não contariam com essa pobre população de famintos infelizes, mal tratada e sem esperança. Infelizmente, o brasileiro não sabe escolher os seus dirigentes.
Desejo-lhe coragem, saúde e peço-lhe de aceitar um forte abraço com estima e consideração.
Até breve!
Elisabeth Branco